Movimento Juvenil nas Escolas
Irei tentar tocar em todas as partes mas isto será necessário alguma compreensão vossa no caso de alongar-me.
Podemos dividir o movimento juvenil nas escolas em duas partes, movimento estudantil, que engloba grupos informais de estudantes, actividades extra-curriculares como por exemplo rádios, jornais, desporto, tunas etc. e o movimento associativo que engloba associações de estudantes ou outros órgãos representantes na vida democrática da escola. Logo aqui poderemos excluir quase todo o Ensino Privado no que toca a movimento associativo.
1.1.Movimento Juvenil no Ensino Básico e Secundário
Os estudantes do ensino básico e secundário tiveram sempre organizados de uma maneira bastante particular. Desde desporto escolar, jornais ou outras actividades extra-curriculares, sempre foi uma vertente que tinha uma participação muito positiva. Mas com as recentes alterações ao financiamento do ensino, que vem implicar a diminuição de docentes para darem estas actividades, à sobrecarga horária do aluno têm provocado uma diminuição de estudantes a organizar e a praticar estas mesmas actividades. Ao mesmo tempo tem-se cultivado uma cultura de medo no meio dos estudantes. Dentro das escolas directores intimidam os alunos de se reunir. Proibindo muitos movimentos, posso nomear um exemplo bastante próximo onde um director proibiu qualquer grupo de xadrez ou até de uma turma de fotografia promovidos pela a associação de estudantes da EBSARC (Linda-a-Velha), da qual na altura eu fazia parte. Mas este é um exemplo bastante pequeno no que se tem passado por várias escolas neste país. É também nos movimentos informais que estudantes tem encontrado algum espaço para discutir, debater e aprender mas que têm surgido sanções aos estudantes que tomando consciência tentam organizar estes grupos.
1.2. Movimento Associativo no Ensino Básico e Secundário
Actualmente vemos um ataque a este movimento, em primeiro lugar é realmente notado a intervenção dos directores no funcionamento das Associações de Estudantes, sobretudo nos processos eleitorais, condicionando programas e no que toca aos estudantes, que tentando agir pela escola sofrem sanções impossibilitam estes de se candidatarem às associações de estudantes numa clara violação da lei, A maioria dos estudantes não conhecem os seus direitos e os da AE, algo que é promovido nas escolas pelas suas direcções, numa clara intenção de controlar o espaço que estas tenham. Já não tem sido poucas vezes também que RGA e/ou AGA têm sido proibidas, num claro ataque à democracia como na ES Santa Maria (Sintra) onde os estudantes da AE, sofreram uma grande repressão para conseguir convocar e reunir uma AGA (Assembleia Geral de Alunos), mas esta história não acaba por aqui, os estudantes conseguiram reunir 350 alunos para esta assembleia numa clara vitória contra instrumentos repressivos.
Em segundo lugar ocorre hoje uma disvirtualização das AE, pretendendo transformá-las em comissões de finalistas, com uma participação imensa de empresas privadas nas campanhas condicionando os programas das listas para tentar que se resumam a festas e viagens de finalistas, omitindo o seu papel essencial que é a representação dos estudantes.

